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Alquimistas Judeus, Os
Raphael Patai
// Neste trabalho monumental, o notável antropólogo Raphael Patai descerra as cortinas de um ângulo inteiramente novo na história da cultura, permeada pelas especulações que a levaram das buscas da pedra filosofal à ciência moderna, ao delinear a presença seminal de uma alquimia judaica desde a antiguidade até o século XIX. Este papel significativo, pouco conhecido até a publicação deste trabalho, objetivou-se graças a uma pesquisa de grande profundidade e extensão em fontes jamais exploradas anteriormente. À sua luz, fica patente a relevância dos protagonistas judeus na aventura exploratória, no correr dos séculos, de um dos mais compulsivos mapeamentos e obsessões intelectuais empreendidos pela humanidade.
[J.G.] (leia mais)

Diderot: Obras VI (2) - O Enciclopedista
J. Guinsburg
// Este segundo volume da História da Filosofia, na qual a editora Perspectiva reuniu os escritos de Diderot para a Enciclopédia Francesa, completa, em primeiro lugar, a análise que o enciclopedista empreendeu sobre o pensamento antigo, incluindo três de seus maiores expoentes: Heráclito, Platão e Aristóteles. Além disso, traz não apenas a súmula das ideias como a revisão crítica dos principais filósofos situados entre o Renascimento e o século XVIII. Aqui se encontram, portanto, Copérnico, Galileu, Bacon, Descartes, Hobbes, Locke, Leibniz, Malebranche, Spinoza e Thomasius.
Vertidos e agrupados pela primeira vez em língua portuguesa, os artigos que constituem os dois tomos desta História da Filosofia formam não apenas uma coletânea de autores e de escolas, mas revelam, seja explicitamente, seja nas entrelinhas, a maneira como Diderot...(leia mais)

Diderot: Obras VII - A Religiosa
J. Guinsburg
// A Religiosa é o terceiro dos principais relatos romanescos de Denis Diderot que a editora Perspectiva publica, dando seguimento a seu projeto de levar ao público leitor o que de mais significativo o grande pensador das Luzes produziu no plano do ensaio filosófico, científico, literário e no largo espectro de temas e interesses que a sua atividade de escritor percorreu. Nesta narrativa, desenvolvida como uma epístola memorial de uma jovem obrigada a sujeitar-se às ordens monacais, o romancista leva sua pena aos recônditos das emoções e das vivências de uma personalidade tiranizada por imposições contra as quais todo o seu ser, no vigor da juventude, se rebela. No mesmo lance, entretanto, e em contraposição, enquadrando as ações da personagem nas condições que a envolvem em termos sociais, consuetudinários, morais e psicológicos, o e...(leia mais)

Memória e Cinzas
Edelyn Schweidson
// Em um momento em que o Brasil reivindica um papel protagônico na política e nas instituições internacionais que corresponda ao seu justo lugar no concerto das nações e a sua crescente relevância nas relações dos países dos vários continentes com este país-continente, e que, para tanto, se propõe a dialogar com todas elas, inclusive com aquelas que se opõem frontalmente à sua índole democrática no plano político, religioso e étnico, parece mais do que oportuno indagar o que pensa o mundo intelectual brasileiro de temas e chagas que estão na ordem do dia e obsedam os espíritos, ainda hoje, decorridos sessenta anos da Segunda Guerra Mundial, como é o Holocausto – o extermínio de milhões de seres humanos pela fúria assassina do nazifascismo. Esta é a atualidade do simpósio que Edelyn Schweidson organizou no Rio de Janeiro e que agora a editor...(leia mais)

Espaço (Meta)Vernacular na Cidade Contemporânea
Marisa Barda
// Até que ponto o novo pode apagar a história?
Uma das questões mais discutidas nos debates que envolvem o espaço urbano instituído ou a instituir-se trata do patrimônio representado pelos ambientes que trazem em sua constituição – ou destituição – elementos exemplares da formação de uma identidade urbana. A importância dos monumentos, a pertinência do ambiente físico como valor para uma sociedade e uma nação, a noção de conservação, a relação entre história e contemporaneidade são fatores que agitam as novas teorias urbanísticas e permeiam as ações públicas nas novas e velhas cidades. Em Espaço (Meta)Vernacular na Cidade Contemporânea, Marisa Barda, mestre em História e Fundamentos da Arquitetura, com vasta experiência em restauração e conservação urbanas, discute o tema com notável profundidade analítica. Examinando as principais fontes ...(leia mais)

Nomes do Ódio, Os
Roberto Romano
// Em Os Nomes do Ódio, Roberto Romano sai mais uma vez a campo, com o desassombro que o tornou um dos mais empenhados combatentes pelas causas da razão, da ética na política e dos direitos humanos na atualidade brasileira. Para denunciar e enfrentar as diferentes formas de racismo, inclusive em sua metástase antissemita, que vem se insinuando e até reaparecendo abertamente em suas formas neonazistas e no pragmatismo despudorado para negar e, se possível, levar aos campos de extermínio os valores do humanismo e da democracia que se acham constantemente sob sua mira a pretexto de supostas “realidades” étnicas, sociais, políticas, morais, artísticas e culturais. Trata-se, pois, neste livro, de um conjunto de penetrantes análises a respeito dos meios e das máscaras insidiosas com que o autoritarismo político, as ideologias excludentes, o...(leia mais)

Música e Mediação Tecnológica
Fernando Iazzetta
// A música contemporânea foi visceralmente marcada pela tecnologia. A invenção do fonógrafo, em 1877, exigiu uma remodelação radical em toda a rede de relações existente nos processos de criação e recepção estabelecidos até então. Nesse movimento, a escuta passou a ser o foco desse novo fazer musical. Na segunda metade do século XX, porém, o desenvolvimento das tecnologias eletroeletrônicas gerou um novo ciclo de transformações, permitindo, por exemplo, a criação de músicas sem notas e de performances musicais sem instrumentistas. Assim, a criação musical retoma seu predomínio, balizada pelo poder de inventividade que os novos meios lhe proporcionam. Ocorre, então, a instrumentalização da escuta e da criação musicais, que passam a ser mediadas por um número crescente de aparatos de operadores eletrônicos. Com base nesses dois paradigmas, Fe...(leia mais)

Tehiru
Ili Gorlizki
// Como é possível – indaga Ili Gorlizki nesta transposição ficcional do universo seiscentista, com a sua problemática e a sua mentalidade decorrentes do embate das religiões nas suas formas mais cruéis, como a perseguição a judeus, muçulmanos e hereges, a inquisição e a caça às bruxas – como é possível, pois, que a ideia messiânica, cuja realização suscitou tantas falsas profecias quantos foram seus messias, como é possível que essa ideia enfeitiçasse tanto o homem de ciência quanto a gente comum, o rico e o pobre, os judeus e os cristãos, em nações altamente desenvolvidas e dominantes, do mesmo modo que em outras tiranizadas e avassaladas? Tal é a indagação que o leitor, guiado pelo autor nessa fascinante aventura textual, será tentado a desvendar através das linhas de Tehiru, como se buscasse a luz que, nascida...(leia mais)

Escritura Política no Texto Teatral
Hans-Thies Lehmann
// Hans-Thies Lehmann tornou-se internacionalmente conhecido ao enfeixar no termo pós-dramático a mudança radical ocorrida no pensamento teatral. Este, deixando de subordinar tudo o que ocorre em cena ao texto, assume agora características mais amplas, formalizando e incorporando, na representação em ato, os elementos que a informam e convertem todo o espetáculo em obra única de uma linguagem de certo modo irrepetível. Esta maneira de ver e o modo de formar que ela implica nutrem-se, de um lado, do longo processo histórico palmilhado pela teatralidade dramática e, de outro, de uma percepção cada vez mais aguda da realidade, em suas conformações políticas. É esse novo paradigma que saiu dos bastidores da cozinha teatral, para ocupar o palco na corporeidade de suas releituras do legado textual e na roteirização performática, levando ao especta...(leia mais)

Ilhas, As
Jean Grenier
// As grandes revelações que um homem recebe em sua vida são muito raras, uma ou duas, no mais das vezes. Mas elas transfiguram, como a sorte. Ao ser apaixonado por viver e por conhecer, este livro oferece, eu o sei, ao correr de suas páginas, uma revelação semelhante. É tempo que novos leitores cheguem a ele. Eu gostaria de estar ainda entre eles, eu gostaria de voltar a essa noite em que, depois de ter aberto este pequeno volume na rua, o fechasse nas primeiras linhas que tenha lido, o apertasse contra mim e corresse até o meu quarto para devorá-lo, enfim, sem testemunhas. E eu invejo, sem amargura, eu invejo, se ouso dizer, com calor, o jovem desconhecido que, hoje, aborda estas Ilhas pela primeira vez…

ALBERT CAMUS (leia mais)

Inquisição: Prisioneiros do Brasil
Anita Waingort Novinsky
// Foram levados do Brasil 1076 prisioneiros para os cárceres da Inquisição em Portugal, durante a época colonial, porque sentiam e pensavam “diferente”. Judaísmo, luteranismo, islamismo, assim como feitiçaria, sodomia, bigamia, proposições heréticas e blasfêmias, eram considerados crimes e punidos com degradação moral, exílio, confisco, cárcere perpétuo ou morte na fogueira. Como a sobrevivência do Tribunal dependia do confisco, o moloch inquisitorial clamava por mais oferendas, recriando as heresias sempre que arrefeciam. • A Inquisição foi sobretudo uma instituição racista, que discriminava e excluía, por lei, os descendentes de judeus, árabes, ciganos, negros e mulatos, até onde a memória podia chegar. A esta imposição forçada de crença e pensamento, os diversos grupos étnicos responderam com uma contestação clandestina, recusando os dog...(leia mais)

Uma Empresa e seus Segredos: Companhia Maria Della Costa
Tania Brandão
// No longo processo de gestação e configuração do moderno teatro brasileiro, o marco fundador da nova cena se construiu com o entusiasmo e o talento de uma jovem geração de atores, cenógrafos e diretores. Recebendo os ensinamentos e as práticas da revolução cênica em curso no mundo ocidental e, sobretudo, de encenadores e artistas que a guerra e o pós-guerra trouxeram ao Brasil, ela foi ao encontro do latejamento cultural de uma sociedade que começava a emergir do mundo relativamente insulado de seu provincianismo e a engajar-se na dinâmica das relações e dos eventos que passaram a moldar a sua existência e o seu semblante na contemporaneidade. Entre os grupos teatrais que levaram ao nosso público, não só nas grandes capitais, como nos mais distantes rincões deste vasto país, a encarnação e a mensagem desta nova teatralidade, a companhia fu...(leia mais)

Outro Dia
Ruy Fausto
// O que nos resta pensar em um outro dia ou de um outro dia, que se espera, seja diferente de hoje e de ontem? Em Outro Dia: Intervenções, Entrevistas, Outros Tempos, que a editora Perspectiva leva ao público de língua portuguesa pela coleção Estudos, ao fazer balanços de varejo e inventários de detalhe, daqui e dalhures ou de Europa, França e Bahia, como se diz, Ruy Fausto segue uma máxima crítica de Merleau-Ponty enunciada contra a “política” dos filósofos, de resto, uma mistificação da política: a falsa impressão de relevância que dá toda teoria que, ao se pretender exaustiva, não esgota a realidade, mas escapa dela. Pensar uma esquerda para além dos equívocos e becos sem saídas do século XX, é pensar sobretudo o detalhe, e recuperar, como diz o autor, uma função crítica do entendimento em face do fetichismo da crítica. O que sign...(leia mais)

Politização dos Direitos Humanos, A
Benoni Belli
// Em 2006, a Organização das Nações Unidas resolveu substituir a antiga Comissão de Direitos Humanos, criada em 1946, por um Conselho da mesma natureza. A razão foi o desvirtuamento que o organismo anterior sofrera ao longo de seus trabalhos, por ingerência de interesses políticos dos Estados-membros e de seus dirigentes, implicados ou não nas violações aos princípios da Declaração Universal.
A pergunta que surge é se nessa renovação caberia eliminar o sistema de condenações aos países que transgridem, ou não levam em conta, os direitos básicos do homem. A Politização dos Direitos Humanos, de Benoni Belli, que a editora Perspectiva oferece ao leitor de língua portuguesa em sua coleção Estudos, defende, com sagacidade crítica e erudição, que um erro (a politização e a seletividade na escolha dos alvos da condenação) não pode justific...(leia mais)

Cidade do Século XIX, A
Guido Zucconi
// As estações ferroviárias, as galerias comerciais, as exposições universais, as grandes avenidas, os bairros industriais são alguns dos espaços que caracterizam A Cidade do Século XIX. É esta urbe oitocentista, com suas orlas marítimas, seus anéis periféricos, seus subúrbios-jardim e seus quarteirões de negócios, matriz da metrópole contemporânea, que Guido Zucconi, professor de história da arquitetura da universidade de Veneza, estuda neste livro, que a editora Perspectiva publica na coleção Debates, dando sequência a A Cidade do Primeiro Renascimento, de Donatella Calabi, Primeira Lição de Urbanismo e A Cidade do Século Vinte, de Bernardo Secchi, já lançados. (leia mais)

August Stramm: Poemas-Estalactites
Augusto de Campos
// August Stramm (1874-1915) nos legou um conjunto de poemas que apesar de pouco extenso impressiona vivamente pela obsessão temática, pela audácia textural e pela radicalidade do discurso. Em sua verticalização aguda e agressiva, seus hirtos construtos líricos nos aguardam: estalactites de sangue no fundo escuro da insondável caverna do mistério humano – brilham se iluminados e de tão densos e sucintos parecem cortar como faca em nossa emoção e sensibilidade.

[Augusto de Campos]


no alto ressoa um seixo agudo

a noite verte vidro

o tempo estaca

eu

cascalho

tu

te

vidras
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