
| SOBRE O LIVRO | | Assunto: | teatro | | Coleção: | estudos 301 | | formato: | 12,5x22,5 cm | | páginas: | 152 | | acabamento: | brochura | | edição: | 1ª 2012 | | peso: | 152 g | | ISBN: | 9788527309547 |
| |
Persona Performática Alteridade e Experiência na Obra de Renato Cohen Ana Goldenstein Carvalhaes
| | |
Persona Performática, de Ana Goldenstein Carvalhaes, leva à frente, com plena autonomia, uma das propostas mais ousadas do moderno teatro brasileiro, a de Renato Cohen. Seja na sua prática e linguagem artística, seja nas formas de sua produção espetacular, tem-se aqui um fruto legítimo do work in process. Através de duas importantes performances, a construção do performer em cena de sua persona performática concretiza-se na incorporação em público que o texto se empenha em encarnar, fazendo sentir o sentido da pessoa que o faz e ampliando sua captação e visualização por novas dimensões plásticas e polifônicas. Assim, conceitos e procedimentos fundamentais, como os de mitologia pessoal, estranhamento e travessia, confluindo para o que os engloba no chamado campo mítico, são aqui colhidos, por assim dizer, ao vivo, no pensamento seminal que os fecundou, o de Cohen. Porém, mais do que isso, além de identificados, são agora objetos de discussão e exame. O terreno da realização no tablado perante o receptor é lavrado ao mesmo tempo como a cena de experiências densas, cujos participantes compõem com eficácia gestalten envolventes, pelos quais os “fluxos” produzidos se revestem por transformação em signos e emissões simbólicas performados tanto para os performadores quanto para os seus coparticipantes, o público. Por essa via, transmite-se também, com um raio de alcance bem maior, o efeito desse fazer artístico, que é o de convertê-lo num espaço social de uma autorreflexão que se ultrapassa e adquire a altitude de meta-arte, ou seja, um âmbito para se pensar e discutir a própria sociedade no mundo contemporâneo. Tal é o convite e a sugestão que Persona Performática estende ao seu leitor na expectativa de que seja também o espectador de suas performances.
J. Guinsburg
| • Indicar o livro | • Dê a sua opinião sobre a obra
|

SUMÁRIO Agradecimentos ... IX Apresentação – Lucio Agra ... XIII Introdução ... XXI Work in Progress como Experiência ... XXIII O Texto ... XXIV Nota prévia ... XXVIII
1. “SMELLS LIKE TEEN SPIRIT ”: UMA TOPOGRAFIA SINGULAR ... 1
2. OUTRO PLANO DE POESIA (ALGUNS APONTAMENTOS) ... 21
Preâmbulo – Ideias que se Movem: Uma Gramática ... 21 Cena Contemporânea – Work in Process em Ritmo Andante ... 22 O Campo PARA ... 24 Work in Progress ... 27 Epifania ... 32 Erro ... 35 Novas Mídias ... 37 Tópos Mythos Tekhné ... 39 Encenador ... 42 Poética ... 44
3. PERSONA-PESOA, PERSONA-PERSONAGEM ... 45 Imanência – A Feitura de Pessoas – Sintonizando a Música do Seu Eu ... 46 Gotham SP: As Pessoas da Cidade Invisível ... 57
4. A TRAVESSIA: O ATALHO MAIS COMPRIDO A SE FAZER ... 83
Preâmbulo ... 83 Travessia . . . . 85 Mitologia Pessoal: O Mito Beuys ... 88 Estranhamento ... 94 Figuras ... 98 Polifonia: Puxadinho do Meu Corpo ... 100
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 109
Bibliografia ... 113COMENTÁRIO(S) Livro sobre Renato Cohen
Fonte: Agência FAPESP
Estudo analisa o legado do encenador Renato Cohen
19/11/2012
Por Flávio Aquistapace
Para pensar as diferentes possibilidades e procedimentos de um trabalho performático, prática artística ancorada no corpo e com livre trânsito entre as diferentes formas expressivas, Ana Goldenstein Carvalhaes voltou suas atenções ao legado do artista Renato Cohen (1956-2003), performer e encenador gaúcho radicado em São Paulo que lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
A dissertação de mestrado de Carvalhaes, orientada pela professora, escritora e curadora Kátia Canton, resultou no livro Persona Performática – Alteridade e Experiência na Obra de Renato Cohen, publicado com apoio da FAPESP.
Das muitas contribuições relevantes deixadas por Cohen, segundo Carvalhaes, destaca-se o “work in progress”, ou seja, a incorporação poética – capaz de propor diferentes possibilidades de leitura – dos eventos que surgem “durante a elaboração da performance, na própria emergência do tempo”, fazendo da transitoriedade entre diferentes estados emocionais e expressivos uma de suas marcas autorais mais representativas, ponto fecundante do próprio trabalho.
“Algo importante que ficou é a ideia de arte em processo, da pesquisa em andamento, aberta a constante experimentação”, disse Carvalhaes, que foi aluna de Cohen.
Segundo ela, é graças a essa prática permeável e receptiva aos acontecimentos que o performer pode usufruir da mistura não linear característica das diferentes falas agenciadas pela sua voz na elaboração da obra.
“A forma polifônica está presente na construção do texto das performances de Cohen, que tem origens diversas ao longo do processo, incidindo, inclusive, na linguagem e também na ideologia do processo”, disse Carvalhaes.
Dar forma aos fatos do tempo no próprio corpo do artista, ativado por alguma motivação interior ou externa, está entre as prerrogativas da performance.
No Brasil, é referência, por exemplo, a caminhada performática do arquiteto, pintor e desenhista Flávio de Carvalho (1899-1973) pelas ruas do centro da cidade de São Paulo em 1956, vestindo um saiote e uma blusa de mangas curtas bufantes. A performance, que recebeu o nome de “Experiência nº 3”, consistiu na confecção da roupa e na própria ação, devidamente documentada.
Para Carvalhaes, a performance se configura ao longo do tempo como uma prática artística que assume diferentes reformulações. Sua marca é, além da experimentação, a efemeridade e a incorporação das marcas do transitório.
“A performance é pesquisa. Cada artista precisa de uma forma diferente, de uma arte diferente. A performance tem trânsito livre, define-se a cada situação”, disse. O resultado é um trabalho híbrido e transdisciplinar, articulado por diferentes proposições e referências.
Novas mídias
Em prol do adensamento da vivência que o performer trazia à cena em seu trabalho, Cohen lançava mão de diferentes dispositivos capazes de acionar o trânsito que a formulação da obra requeria durante os ensaios.
“Ele ia para a body-art, passava por Guto Lacaz, Bauhaus, punk, John Cage, Oiticica... Cohen colocava em dinâmica esses conceitos, que eram usados conforme a experiência ia pedindo”, disse Carvalhaes.
No livro, são analisadas duas obras de Cohen: a exposição Imanências: Caixas do Ser, de outubro de 1999 na Casa das Rosas, em São Paulo, e Gotham SP, espetáculo teatral de 2001, realizado pela Cia Teatral Ueinzz – companhia formada por não atores.
Em Imanências, oito artistas passaram oito dias instalados em salas visíveis ao público. Assistidos por câmeras, as imagens ficavam disponíveis 24 horas por dia na internet.
Tal situação, segundo Carvalhaes, “propôs uma situação-limite entre internalização e introspecção do artista. Ao mesmo tempo, as novas mídias permitiam o movimento contrário, de exposição e expansão. Cohen entendia isso como extensões do corpo-mente através do suporte digital”.
De acordo com Lúcio Agra, performer e prefaciador do livro de Carvalhaes, Cohen foi um dos precursores da discussão a respeito dos usos e empregos da rede mundial virtual pela performance.
“Seus últimos textos ajudaram a consolidar a ideia de performance telemática, da teleperformance, contra o juízo-clichê que sempre insiste no acontecimento ‘ao vivo’, como se ali também não existisse uma mediação”, ressaltou.
A hibridez, a articulação entre diferentes referências e níveis de atenção difundidos pela sintaxe da web são também lembradas como parte do arranjo expressivo de Cohen.
“Ele tinha um pendor hipertextual. Era um incrível articulador de inúmeras ‘janelas’. Não havia computador, na sua época, que desse conta da velocidade de seu pensamento”, disse Agra.
PRÊMIO(S)
OPINIÃO
|
| | | |